Encontro de blogueiros no RS #BlogProgRS

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Está marcado para os dias 27, 28 e 29 deste mês o #BlogProgRS, 1º Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do RS. O evento é uma reunião preparatória para o 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progessistas.

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O termo #BlogProgRS é uma espécie de abreviação de Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Sul.  É precedido do símbolo sustenido (#) para criar uma tag rastreável na internet, as tais hashtags, que agrupam e facilitam encontrar assuntos semelhantes dentro de um mesmo sistema.

De forma inédita e crescente, os brasileiros, não exclusivamente, é claro, estão acessando cada vez mais a internet. E, com essa nova oportunidade, acessam, também, um universo de possibilidades de comunicação de massa até então exclusivo para os “amigos dos reis”, ou melhor, para os pouquíssimos privilegiados que, por alguma razão esdrúxula, ganharam concessões de canais públicos de comunicação.

Os blogs são as grandes vedetes desse novo cenário comunicativo. São *gratuitos, diversificados e fáceis de serem utilizados. Com eles, cada pessoa pode ter um espaço nessa imensa teia (#teialivre) comunicativa. É uma boa oportunidade para deixar de ser um mero receptor passivo de conteúdos e assumir uma posição mais central e democrática no processo de comunicação social.

O microblog twitter também tem contribuído com a ampliação desse processo comunicativo cibernético e com a aproximação de atores sociais até então muito distantes. Eleitores e políticos eleitos, por exemplo, podem trocar informações com mais frequência, sem a necessidade da intermediação da imprensa corporativa tradicional.

Cientes da importância de difundir e espraiar essas novas “ferramentas”, alguns blogueiros e tuiteiros progressistas mais ativos organizam-se para debater, qualificar e ampliar a prática de “blogar”. Nessa mesma linha de raciocínio, o governo brasileiro tenta universalizar o acesso à internet rápida através do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Mais informações sobre o #BlogProgRS podem ser acessadas em http://blogprogrs.com.br/

(para participar é necessário inscrever-ser no evento)

*Quer criar um blog?

Inicie por um desses dois: wordpress.com ou blogspot.com 

Existem outros portais que também oferecem esses serviços gratuitamente.

Mais notícias sobre o tema:

Blogueiros defendem regulação da mídia e banda larga pública

Será mesmo Bin Laden?

Após montar um circo planetário para informar a morte de Osama Bin Laden, o governo norte-americano sofre pressões para esclarecer as circunstâncias do crime.

Mais uma foto é divulgada na internet, na qual parece ser o corpo de Bin Laden ao lado de um soldado americano.

Outra vez a qualidade da imagem é sofrível. Como da vez anterior, pode haver montagem digital. As autoridades americanas não confirmam a foto publicada originalmente em Drudge Report.

@freibetto tuíta sobre ligação de Bush e Bin Laden


Usando uma técnica especial de neojornalismo, capturei (ctrl c, Ctrl v) uma história que Frei Betto (@freibetto) narrou a conta-gotas, ou melhor, com frases de até 140 caracteres no twitter, sobre a ligação da família Bush com a família de Osama Bin Laden. Reproduzo aqui, em ordem inversa das inserções originais para facilitar a sequência de leitura.  As quebras de parágrafo respeitam o formato original das postagens no twitter, escritas agora a pouco (03.05.2011, por volta das 18h).

Obs. Espero que ele (@freibetto) não se importe com essa reprodução “não-autorizada” aqui no neojornalismo.

A história foi contata hoje, 03, mas, vou começar por aqui com a última pergunta que ele postou ontem, 02.

Desde quando a CIA cumpre rituais muçulmanos???

INÍCIO 03.06.2011, aproximadamente 17h30

Suponho que a CIA mantém Bin Laden vivo, sob tortura, para denunciar toda a sua rede terrorista. Ele, vivo, vale mais que morto.

Depois que Bin Laden falar ou se calar sob tortura, aí sim, virá a “solução argentina”: o corpo no mar.

Uma pausa para a propaganda:

Zé, meu livro sobre ECOLOGIA E ESPIRITUALIDADE, com o monge Marcelo Barros, foi editado pela Agir. Compra: www.tecacarvalho@uol.com.br

Segue:

George Bush pai, nos anos 60, tornou-se amigo de um empreiteiro árabe que viajava com freqüência ao Texas.(segue)

Introduziu-o na sociedade local: Muhammad Bin Laden.Em 68, ao sobrevoar poços de petróleo de Bush, ele morreu em acidente aéreo no Texas.

George Bush não pranteou a morte do amigo. Andava mais preocupado com as dificuldades escolares de seu filho George W. Bush, mau aluno.

A guerra do Vietnã acirrou-se. Para evitar a convocação do filho, George tratou de alistá-lo na força aérea da Guarda Nacional.

A bebida, entretanto, impediu que George W. Bush se tornasse um bom piloto.

Papai George incentivou-o, então, a fundar, em meados dos anos 70, sua própria empresa petrolífera, a Arbusto (bush, em inglês) Energy.

Gracas a contatos internacionais que o pai mantinha desde os tempos em q dirigiu a CIA, George filho buscou investimentos com 2 árabes:

Gracas a contatos internacionais que o pai mantinha desde os tempos em q dirigiu a CIA, George filho buscou investimentos com 2 árabes:

Khaled Bin Mafouz e Salem Bin Laden, o mais velho dos 52 filhos gerados pelo falecido Muhammad.

Mafouz, banqueiro da família real saudita e casou com uma irmã de Salem.

Tais vínculos familiares permitiram q Mafouz se tornasse o presidente da Blessed Relief, a ONG árabe na qual trabalhava 1 irmão de Salem

Osama Bin Laden.

A Arbusto pediu concordata e renasceu com o nome de Bush Exploration

Tais mudanças foram suficientes para impedir que a bancarrota ameaçasse o jovem George W. Bush.

Salem Bin Laden, fiel aos laços de família, veio em socorro do amigo, comprando US$ 600 mil em ações da Herken Energy

E firmou um contrato de importação de petróleo no valor de US$ 120 mil anuais.

logo Bush filho embolsou US$ 1 milhão e obteve um contrato com o emirado de Bahrein, que deixou a Esso morrendo de inveja.

Em dezembro de 1979, George H. Bush viajou a Paris para um encontro entre republicanos e partidários moderados de Khomeini,

no qual trataram da libertação dos 64 reféns estadunidenses seqüestrados, em novembro, na embaixada dos EUA, em Teerã.

Buscava-se evitar que o presidente Jimmy Carter se valesse do episódio, a ponto de prejudicar as pretensões presidenciais de Ronald Reagan.

Papai George fez o percurso até a capital francesa a bordo do jatinho de Salem Bin Laden, que lhe facilitava o contato com o mundo islâmico.

(Em 1988, Salem faleceu, como o pai, num desastre de avião).

Naquele mesmo ano, os soviéticos invadiram o Afeganistão.

Papai George, que coordenava operações da CIA, recorreu a Osama, um dos irmãos de Salem,

que aceitou infiltrar-se no Afeganistão para, monitorado pela CIA, fortalecer a resistência afegã contra os invasores comunistas.

Estes dados são do analista italiano Francesco Piccioni. Mais detalhes no livro

A fortunate son: George W. Bush and the making of na American President, de Steve Hatfield.

Após a morte do pai em 1968, em desastre de avião sobre os campos de petróleo da família Bush, no Texas,

Osama, então com 11 anos, ficou sob a tutela do príncipe Turki al-Faisal al-Saud, que dirigiu os serviços de inteligência saudita.

Em 1979, a pedido de George Bush pai, então diretor da CIA, o tutor incumbiu Osama, já com 23 anos, de transferir-se para o Afeganistão

e administrar os recursos financeiros destinados às operações secretas da agência contra a invasão soviética àquele país.

Preocupado com a ofensiva de Moscou, o governo dos EUA liberou a + alta soma q a CIA recebeu para atuar em um só país: US$ 2 bilhões.

Em 1994, qdo já se tornara o inimigo público número 1 dos EUA e perdera a nacionalidade saudita, Osama Bin Laden herdou US$300 milhões.

Em 1994, qdo já se tornara o inimigo público número 1 dos EUA e perdera a nacionalidade saudita, Osama Bin Laden herdou US$300 milhões.

que controla imobiliárias, construtoras, editoras e empresas de telecomunicações. Presidida por Bakr Bin Laden, irmão de Osama,

Qdo o presidente George W. Bush, após 11 do 9, enquadrou, como crime anexo ao terrorismo

o “aproveitamento ilícito de informações privilegiadas”, sabia do q falava.

Tudo indica que, graças a essas informações, Osama Bin Laden montou a sua rede terrorista mundo afora,

Informações que podem ter vindo dos Bush, graças a vínculos entre as duas famílias.

Talvez Freud pudesse explicar um detalhe das armas escolhidas pelos terroristas de 11 de setembro: aviões.

O pai e o irmão mais velho de Osama Bin Laden morreram em acidentes aéreos, ambos nos EUA. FIM

 

Obs. Ontem também tuitei que tenho a desconfiança que o Bin Laden esteja vivo ou que já tenha morrido há muito tempo. 

Meus tuítes: Heverton Lacerda @hevertonlacerda

É possível que Bin Laden esteja vivo ou até já tenha morrido há muito tempo sem os EUA saber. O fato é q Obama está tirando proveito disso.

Sei lá, acho q tem mentira grossa nesse caso do Bin Laden. Nem vídeo, nem foto??? Tá muito estranho.

Rumores, via @donatipasko , de que Bin Ladem morreu há tempos por complicação pulmonar não tratada http://fon.gs/mpophk/

Corpo de Bin Laden é encontrado no Mar Morto

O corpo do inimigo número um dos sionistas e dos norte-americanos foi encontrado, hoje, no Mar Morto. Para descansar um pouco, deixou as sete ex-virgens na praia e foi relaxar em alto mar. Sem acesso à internet, Bin Laden só pode se atualizar com os anacrônicos tablóides impressos.

Montagens e mentiras a parte, até que essa ficou engraçada. Riam ou chorem…

CONFIRMADO: A foto é falsa. E o corpo?

Como já era esperado, a foto divulgada ontem é apontada como falsa. Segundo o jornal britânicoThe Guardian, a imagem é uma montagem feita a partir da fotografia de um homem morto, tirada há dois anos e publicada por um jornal árabe, com uma de Osama vivo.

E para piorar a credibilidade do governo norte-americano, já muito abalada pelo episódio que envolveu o assassinato “oficial” de Sadan Russein, o suposto cadáver de Bin Laden ainda não foi apresentado ao público.

Essa situação é bastante embaraçosa para Obama, que terá de explicar o fato de não conseguirem capturar Osama Bin Laden vivo e levá-lo a julgamento, mesmo dez anos tendo passado desde o famoso 11/09. Quem venham os fatos…

Obama anuncia morte de Osama Bin Laden

O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, anunciou, ontem, 01/05, a morte de Osama Bin Laden. A foto divulgada pela imprensa norte-americana não havia sido confirmada pelo governo até as 04 horas da madrugada de hoje. Devido à baixa definição da imagem, não seria surpresa se fosse descoberta alguma montagem. O anúncio causou furor no povo americano, que foi às ruas comemorar a morte de quem consideram ser o principal responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001.

Por enquanto, resta aguardar os desdobramentos desse fato. Certamente, os ânimos serão antagônicos entre os norte-americanos e a nação islâmica.

A inspiração veio de cima

Quando surge um blog na esfera da internet, ou blogosfera, como é apelidado esse espaço cibernético oportunizado pela existência de uma Rede Mundial de Computadores, abre-se um novo sítio para compartilhamento de informações, críticas, emoções e comentários. Criar um blog, tecnicamente é fácil. As ferramentas disponibilizadas em portais como o wordpress, por exemplo, dão conta do recado. Tornar o novo blog palatável, acessado e lido é um grade desafio.

Escolher o nome do novo “empreendimento” já é uma tarefa árdua, para alguns é claro. No caso deste blog, o Neojornalismo, a inspiração, como diz o título deste post, veio de cima, ou melhor, surgiu a partir da leitura da entrevista do jornalista francês Ignacio Ramonet, publicada no portal Outras Palavras. Imagino que o neojornalismo seja mais plural, autêntico, dinâmico, verdadeiramente democrático e humilde. Quero dizer: o jornalista não é dono da verdade, nem o único detentor do direito de informar, mas, tem a missão de colaborar com a disseminação, ampla e irrestrita, das notícias.

Estrategicamente, a força e a qualidade do conteúdo desta entrevista, somadas à explicação sobre a escolha do nome Neojornalismo, abrem as postagens por aqui.

Boas leituras!

Ignacio Ramonet descreve explosão do jornalismo

Postado originalmente em Outras Palvras

Surgiu novo sinal de que a comunicação compartilhada tem futuro e enorme potência transformador. O jornalista francês Ignacio Ramonet – um dos estudiosos mais profundos, refinados e críticos da mídia convencional – acaba de lançar A Explosão do Jornalismo (disponível por enquanto, apenas em francês). A grande novidade na obra é a esperança militante que o autor deposita na blogosfera, nas redes sociais e num novo jornalismo que se associe a elas.

Ao longo dos últimos quinze anos, Ramonet foi, talvez, o analista mais destacado da mercantilização e pasteurização da imprensa. Diretor (entre 1990 e 2008) da edição francesa do Le Monde Diplomatique, ele abriu as páginas do jornal a textos agudos sobre a involução por que passaram os jornais, o rádio e a TV, no período. Apontou, sempre com muita riqueza de dados. a associação crescente entre imprensa e grande empresa. Associou este processo ao papel domesticador que a mídia passou a desempenhar no período – totalmente oposto à conceito de “contra-poder”, reivindicado pelos defensores de uma democracia de alta intensidade. Cunhou, numeditorial escrito em janeiro de 1995, o termo “pensamento único”, para denunciar o apagamento da diversidade. Lembrou que, nas novas condições, a imprensa passava a desempenhar, para as sociedades capitalistas, papel similar ao que o “partido único” exercera nos países alinhados à extinta União Soviética.

Tal combate deu-lhe relevância e prestígio: político, teórico e acadêmico. Mas nos últimos anos – precisamente quando amplos setores sociais reagiram ao pensamento único apropriando-se da internet e criando um novo jornalismo horizontal e cidadão – Ramonet parecia descrente. Seus textos continuaram apontando, ácidos, a degenerescência da imprensa-empresa. Mas ele mostrava-se pouco sensível à grande novidade. Numa entrevista concedida em São Paulo em 2008, durante o I Encontro do Jornalista Escritor, enxergou uma internet prestes a ser colonizada pelas grandes corporações da indústria da comunicação.

A Explosão do Jornalismo reverte este ceticismo. E Ramonet redefine sua posição aportando densidade teórica e imaginativa à luta para construir a nova mídia. No novo livro, ele busca, por exemplo, caminhos para associar a blogosfera a publicações que funcionem como nós na rede – pontos de convergência, debate e colaboração permanente entre blogueiros e outros comunicadores. Também especula sobre as maneiras de oferecer, aos novos meios e seus “neojornalistas”, condições de sustentabilidade material em bases pós-mercantis.

No final da semana passada, Ramonet concedeu, ao jornal francês L’Humanité, ampla entrevista sobre seu novo livro. É um prazer traduzi-la e oferecê-la aos leitores de Outras Palavras (A.M.)

Entrevista a Frédéric Durand, no L’Humanité | Tradução: Antonio Martins

Você afirma, em seu livro, que “o jornalismo tradicional desintegra-se completamente”

Ignacio Ramonet: Sim, inclusive porque ele está sendo atacado de todos os lados. Primeiro, há o impacto da internet. Parece claro que, ao criar um continente mediático inédito, ela produz um jornalismo novo (blogs,redes sociais, leaks), em concorrência direta com o jornalismo tradicional. Além disso, há o que poderíamos chamar de “crise habitual” do jornalismo. Ela é anterior à situação atual. Desdobra-se em perda de credibilidade, diretamente ligada à consanguinidade entre muitos jornalistas e o poder econômico e político, que suscita uma desconfiança geral do público. Por fim, há a crise econômica, que provoca uma queda muito forte da publicidade, principal fonte de financiamento das mídias privadas e desencadeia pesadas dificuldades de funcionamento para as redações.

A que se deve a perda de credibilidade?

Ignacio Ramonet: Ela acentuou-se nas duas últimas décadas, essencialmente como consequência do desenvolvimento do negócio midiático. A imprensa nunca foi perfeita, fazer bom jornalismo foi sempre um combate. Mas a partir da metade dos anos 1980, vivemos duas substituições. Primeiro, a informação contínua na TV, mais rápida, tomou o lugar da informação oferecida pela impressa escrita. Isso conduziu a uma concorrência mais viva entre mídias uma corrida de velocidade em que resta cada vez menos tempo para verificar as informações. Em seguida, a partir da metade dos anos 1990, com o desenvolvimento da internet. Particularmente há alguns anos, com a emergência dos “neojornalistas”, estas testemunhas-observadoras dos acontecimentos (sejam sociais, políticos, culturais, meteorológicos ou amenidades). Eles tornaram-se uma fonte de informações extremamente solicitada pelas próprias mídias tradicionais.

O público parece justificar sua desconfiança em relação à imprensa pela promiscuidade entre o poder e os jornalistas

Ignacio Ramonet: Para a maioria dos cidadãos, o jornalismo resume-se a alguns jornalistas: estes que se vê em toda parte. Duas dezenas de personalidades conhecidas, que vivem um pouco “fora da terra”, que passam muito tempo “integrados” com os políticos, e que, em toda o mundo, conciliam bastante com eles. Constitui-se assim uma espécie de nobreza política, líderes políticos e jornalistas célebres que vivem (e às vezes se casam) entre si mesmos, uma nova aristocracia. Mas esta não é a realidade do jornalismo. A característica principal desta profissão é, hoje, a precarização. A maior parte dos jovens jornalistas é explorada, muito mal paga. Trabalham por tarefa, muitas vezes em condições pré-industriais. Mais de 80% dos jornalistas recebem baixos salários. Toda a profissão vive sob ameaça constante de desemprego. Portanto, as duas dezenas de jornalistas célebres não são nem um pouco representativas, e mascaram a miséria social do jornalismo – na França e em mutos outros países. Isso não mudou com a internet – talvez, tenha se agravado. Nos sites de informação em tempo real criados pela maior parte da velha mídia, as condições de trabalho são ainda piores. Surgem novos tipos de jornalistas explorados e superexplorados. O que pode consolá-los é saber que, talvez, seu futuro lhes pertença.

Nestas condições, o jornalismo pode ainda assumir o título de “quarto poder”, que age como um contra-poder?

Ignacio Ramonet: Vivemos uma concentração extraordinária das mídias. Quem examina a estrutura de propriedade da imprensa francesa, por exemplo, constata que ela está em mãos de um número reduzidíssimo de grupos. Um punhado de oligarcas – Lagardère, Pinault, Arnault, Dassault – tornou-se proprietário dos grandes meios. Estes expressam uma pluralidade cada vez menor e se supõem que defendam os interesses dos grandes grupos financeiros e industriais a que pertencem. Isso provoca a crise do “quarto poder”. Sua missão histórica, que consiste em criar uma opinião pública com senso crítico e capaz de participar ativamente do debate democrático, já não pode ser garantido. A mídia procura, ao contrário, domesticar a sociedade e evitar qualquer questionamento ao sistema dominante. Os grandes meios criaram um consenso em torno de certas idéias (a globalização e o livre-comércio, por exemplo), consideradas “boas para todos” e incontestáveis. Quem as renega deixa aquilo que Alain Minc chamou de “círculo da razão”. Entra, portanto, em desrazão…

Você refere-se às vezes à necessidade de um “quinto poder”

Ignacio Ramonet: Sim. Se constatamos que o “quarto poder” não funciona, isso representa um grave problema para a democracia. Não se pode conceber uma democracia sem o autêntico contra-poder da opinião pública. Uma das especificidades dos sistemas democráticos está, aliás, nesta tensão permanente entre poder e no respectivo contra-poder. É o que faz a versatilidade e capacidade de adaptação deste sistema. O governo tem, como contrapeso a seu poder, uma oposição, os patrões, os sindicatos. Mas a mídia não tem – e não quer ter! – um contra-poder.

Ora, há uma demanda social forte e crescente de informações sobre a informação. Diversas associações tem se constituído (na França, a Acrimed) para aferir a veracidade e o funcionamento da mídia. Para que a sociedade possa defender-se melhor. É assim que as sociedades constroem, pouco a pouco, um “quinto poder”. Sendo que o mais difícil é fazer com que a mídia dominante aceite este “quinto poder” e lhe dê a palavra…

Em seu livro, você afirma que o futuro dos jornais escritos é tornar-se imprensa de opinião. Por que?

Ignacio Ramonet: Os jornais mais ameaçados são, em minha opinião, os que reproduzem todas as informações gerais e cuja linha editorial dilui-se totalmente. Embora seja importante, para os cidadãos, que todas as opiniões se exprimam, isso não quer dizer que cada mídia deva reproduzir, em si mesma, todas estas opiniões. Neste sentido, a imprensa de opinião é necessária. Não se trata de uma imprensa ideológica, ligada ou identificada com uma organização política – mas de um jornalismo capaz de defender uma linha editorial definida por sua redação.

Na medida em que, para tentar enfrentar a crise da imprensa, os jornais decidiram abrir espaço, em suas colunas, a todas as teses políticas, da extrema esquerda à extrema direita, sob pretexto de que vale tudo, muitos leitores deixaram de comprar estas publicações. Porque uma das funções de um jornal, além de fornecer informações, é conferir uma “identidade política” a seu leitor. Porém, agora, o jornal não expressa mais o que são seus leitores. Estes, ao contrário, confundem as identidades dos jornais e se desconcertam. Eles compram, digamos, Libération, e leêm uma entrevista com Marine Le Pen. Aliás, por que não? Mas os leitores podem descobrir, por exemplo, que têm talvez algumas ideias em comum com o Front National. E ninguém lhes dá referências a respeito, o que provoca inquietação. Tal desarranjo confunde muitos leitores. Hoje, o fluxo de informações que transita na internet permite que cada um forme sua própria opinião. Em plena crise dos jornais, o sucesso do semanário alemão Die Ziet é significativo. Ele escolheu contestar as ideias e informações dominantes, com artigos de fundo – longos e às vezes árduos. As vendas crescem. No momento em que toda a imprensa faz o mesmo – artigos cada vez mais curtos, com um vocabulário de 200 palavras, Die Ziet escolheu uma linha editorial clara e distinta. Além disso, seus textos permitem lembrar de que o jornalismo é um gênero literário…

Ao mencionar a superabundância de informações, na internet e em suas redes sociais, você refere-se a sabedoria coletiva e a embrutecimento coletivo. Por que?

Ignacio Ramonet: Nunca na histórias das mídias os cidadãos contribuíram tanto à informação. Hoje, quando um jornalista publica um texto online, ele pode ser contestado, completado, debatido por um enxame de internautas que serão, sobre muitos temas, tão ou mais qualificados que o autor. Assistimos, portanto, a um enriquecimento da informação graças aos “neojornalistas”, que eu chamo de “amadores-profissionais”. Lembremos que estamos numa sociedade em que formação superior tornou-se acessível como nunca antes. O jornalismo dirige-se, portanto, a um público muito bem formado – ainda que esta formação seja segmentada.

Além disso, as ditaduras que procuram controlar a informação não conseguem fazê-lo mais, como vimos na Tunísia, Egito e em outras partes. Lembremos que a aparição da imprensa, em 1440, não transformou apenas a história do livro. Ela sacudiu a história e o funcionamento das sociedades. Da mesma forma, o desenvolvimento da internet não é apenas uma ruptura no campo midiático. Ele modifica as relações sociais. Cria um novo ecossistema, que produz paralelamente a extinção maciça de certas mídias, em particular a imprensa escrita paga. Nos Estados Unidos, cerca de 120 jornais já desapareceram.

Significa que a imprensa escrita desaparecerá? A resposta é não. A história mostra que as mídias se reentrelaçam e reorganizam, ao invés de desaparecer. No entanto, poucos jornais vão sobreviver. Sobreviverão aqueles que tiverem uma linha clara, proponham análises amparadas em pesquisa, sérias, originais, bem escritas.

Mas o contexto da hiper-abundância de informações também desorienta o cidadão. Ele não chega a distinguir o que é importante e o que não é. Que informações são verdadeiras? Quais são falsas? Ele vive num sentimento permanente de insegurança informativa. Cada vez mais, as pessoas irão se propor a pesquisar informações de referência.

Como assegurar um futuro à informação e aos que a fazem, agora que ele é acessível gratuitamente?

Ignacio Ramonet: Embora seja incontestável que a imprensa online é a que dominará a informação nos anos futuros, é evidentemente necessário encontrar um modelo econômico viável. No momento, a cultura dominante na internet é a da gratuidade. Mas estamos, precisamente agora, entre dois modelos, e nenhum deles funciona. A informação tradicional (rádio, TV, imprensa escrita) é cada vez menos rentável. E o modelo de informação online não o é ainda, com raríssimas exceções.

Os novos espaços midiáticos podem modificar as relações de dominação que prevalecem hoje no seio da própria sociedade?

Ignacio Ramonet: Dediquei um capítulo inteiro de meu livro ao WikiLeaks. É o terreno da transparência. Em nossas sociedades contemporâneas, democráticas e abertas será cada vez mais difícil, para o poder, manter dupla política: uma para fora e outra, mais opaca e secreta, para uso interno, onde há o direito e risco de transgredir as leis.

O Wikileaks demonstrou que as mídias tradicionais já não funcionavam nem assumiam seu papel. Foi no nicho destas carências que o Wikileaks pôde introduzir-se e se desenvolver. O site também revelou que a maior parte dos Estados tinham uma lado obscuro, oculto. Mas o grande escândalo é que, depois das revelações do Wikileaks, nada ocorreu! Por exemplo: revelou-se que, na época da guerra do Iraque, um certo grupo de dirigentes do Partido Socialista francês dirigiu-se à embaixada dos Estados Unidos para explicar que, se estivessem no poder, teriam envolvida a França na guerra. E este fato – próximo da alta traição – não provocou reações.

Esta evolução para mais transparência pode provocar efeitos concretos?

Ignacio Ramonet: Ela vai necessariamente atingir os privilégios das elites e as relações de dominação. Se as mídias podem, até agora, dissecar o poder político, é porque a política perdeu muito de seu poder, abocanhado pelas esferas financeiras. Sem dúvidas, é à sombra das finanças, dos traders, dos fundos de pensão, que se localiza hoje o verdadeiro poder.

Tal poder permanece preservado porque é opaco. É significativo que a próxima revelação anunciada pelo Wikileaks diga respeito, precisamente, ao sigilo bancário. Graças aos novos sistemas midiáticos, tornou-se possível atacar estes espaços ocultos. Este poder é como o dos vampiros: a luz os dissolve, os reduz a poeira. Podemos esperar, que graças aos novos meios digitais, breve chegará a hora de desvendar o poder econômico e financeiro.