Um passinho à frente, por favor.

“O T5 para aqui?” “Sabe se o Praia de Belas vai demorar?” “Passa algum ônibus que vai para o centro aqui?”

Foto: No frio, aguardando ônibus da linha178 - Praia de Belas

Quem vive o dia a dia de usuário de transporte coletivo compreende as dificuldades encontradas para se locomover em Porto Alegre. Ônibus fora de horários, normalmente atrasados, veículos superlotados, motoristas impacientes e pouco cordiais, espaços apertados para obesos, gestantes e para quem está acompanhado de crianças, solavancos de arrancadas, que desequilibram os passageiros, e veículos mal higienizados são apenas alguns exemplos do que é necessário enfrentar para utilizar os ônibus do sistema de transporte coletivo da capital gaúcha.

Foto: Teto da parada é usado para colocar propaganda

A falta de informações sobre horários e itinerários é outro complicador para quem deseja se locomover pela cidade de ônibus. Na grande maioria das paradas não há nada que indique quais as linhas que param ali, muito menos os horários dos coletivos. Nessa parada da foto (detalhe ao lado), por exemplo, localizada na Rua Garibaldi, entre as Avenidas Cristovão Colombo e Independência, a iniciativa privada encontrou uma forma barata de fazer propaganda. Já a prefeitura não teve, até aquele momento, a iniciativa de colocar informativos. Fora para quem é usuário freqüente de determinadas rotas, torna-se difícil a circulação com o uso dessa modalidade de transporte. No dia em que fiz essa foto (21/06) encontrei um senhor que havia perdido o ônibus por que não sabia que o mesmo não parava em uma parada antes. Teve que caminhar uma quadra e aguardar mais vinte minutos. Segundo me confessou, está quase desistindo de deixar o carro na garagem para andar de ônibus.

Foto: Avenida Érico Veríssimo

Outro exemplo de falta de informações acontece na Avenida Érico Veríssimo: Aos domingos e feriados, as vias centrais, por onde passam os ônibus, são fechadas para que os moradores possam utilizar as pistas para lazer. Nesses dias, os ônibus passam pelas faixas laterais, destinadas, normalmente, aos demais veículos. Porém, os ônibus não param em todas as paradas da avenida, apenas nas paradas que ficam em frente às do corredor central. Ou seja, como não tem nada informando essa metodologia, resta aos usuários tentar descobrir por tentativa e erro. Em se tratando de um domingo, quando a disponibilidade dos transportes coletivos é menor, o jeito é contar com a sorte ou perder o primeiro ônibus, caminhar até outra parada e, novamente, aguardar. Nesses dias de temperaturas muito baixas é sofrimento desnecessário. O telefone 118, da prefeitura, além de dispendioso, pouco ajuda.

Falta melhorar muito o sistema de transporte coletivo de Porto Alegre para que se possa optar por utilizá-lo. Por enquanto, quem tem opção certamente vai preferir usar os carros particulares, mais cômodos e confortáveis, mesmo enfrentando esse nosso trânsito cada vez mais caótico.

Pelo que parece, dinheiro para melhorar os ônibus tem. Tudo depende das prioridades da prefeitura: Os cidadãos usuários ou os turistas temporários? Melhor se fossem todos.

Foto: Ônibus adesivado para a Copa do Mundo de 2014 – Ivo Gonçalves/PMPA

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